18.3.14

Tertúlia com Escritores de Leiria


No âmbito da 5.ª Semana da Leitura de Leiria, realiza-se na próxima sexta-feira, dia 21 de Março, pelas 21h00, na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, uma Tertúlia com Escritores de Leiria, numa organização do Município de Leiria, Instituto Politécnico de Leiria – Serviços de Documentação e Grupo de Trabalho Concelhio da Rede de Bibliotecas Escolares.

A tertúlia será moderada por Dulce Correia e contará com a presença de Cristina Nobre, Jaime de Oliveira Martins, Leonor Lourenço, Manuel Leiria e Paulo Moreiras.

A 5.ª edição da Semana da Leitura de Leiria, dedicada à língua portuguesa, pretende dar espaço e voz aos autores de Leiria e à sua obra, procurando também desta forma lembrar a toda a comunidade a importância da leitura para o desenvolvimento intelectual e formação do indivíduo.

Pode acompanhar a Semana da Leitura de Leiria através do blogue:

28.2.14

«A Demanda» em Alpiarça

No âmbito das Comemorações do Dia Internacional da Mulher, no próximo dia 8 de Março, sábado, o Teatro Amador de Pombal leva à cena o espectáculo «A Demanda», pelas 21h30, no Salão dos Bombeiros e da Música, em Alpiarça.


Com encenação de Rui M. Silva, o espectáculo «A Demanda» — a partir do romance «A Demanda de D. Fuas Bragatela» de Paulo Moreiras — conta no elenco com as actuações de Bruno Cardoso, Catarina Ribeiro, Humberto Pinto, Inês Falcão, Luís Catarro e Rita Leitão.

«A Demanda» estreou a 21 de Janeiro de 2012, no Teatro-Cine de Pombal, tendo sido vista por cerca de cinco mil espectadores, em mais de trinta espectáculos de Norte a Sul de Portugal.

O espectáculo arrecadou quatro prémios CALE na sétima edição do CALE-se - Festival Internacional de Teatro - 2013, um festival de carácter competitivo, único do género a nível nacional, organizado pelo Cale Estúdio Teatro - Associação Cultural de Actores, numa parceria com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e a Freguesia de Canidelo. O Júri deliberou atribuir o prémio «Melhor Espectáculo» ao Teatro Amador de Pombal, pela peça «A Demanda»; o Prémio «Melhor Encenação», a cargo de Rui M. Silva; o Prémio «Melhor Interpretação Masculina», atribuído ao actor Luís Catarro; o Prémio «Melhor Cenografia», sob a responsabilidade de José Silva.




19.2.14

Das Cerejas e das Ginjas

«Desde pristinas eras que estes saborosos frutos nos acompanham e nos saciam a fome. Os registos mais antigos dão conta já da sua utilização pelos seres humanos durante o Período Neolítico, como o atestam os vários caroços encontrados em diferentes habitats pré-históricos a nível europeu. Contudo, desde tempos imemoriais que a cereja e a ginja andam envoltos em dúvidas quanto à sua designação e sua origem. O facto é que as cerejas e as ginjas são primas, naturais da Ásia Menor, no litoral do Mar Cáspio, numa zona que se estende desde a Turquia ao Irão.»


Artigo completo na Viral Agenda.

21.1.14

Dois anos a demandar trancos e barrancos

Foi a 21 de Janeiro de 2012 que estreou o espectáculo «A Demanda», pelo Teatro Amador de Pombal, concretizando assim uma velha aspiração pessoal. Curiosamente, a peça estreou no ano em que também se assinalavam dez anos sobre a publicação do meu primeiro romance, «A Demanda de D. Fuas Bragatela». Ao fim de dez anos descobri um novo texto dentro do meu texto; descobri um outro olhar e tudo isso ganhou vida.

Desde esse dia, em que se materializavam as minhas personagens em cima do palco, em gestos, acções, diálogos e outras pantominices, que o espectáculo tem percorrido mundos e fundos, entre trancos e barrancos, espalhando a arte e o profissionalismo dos actores que integram a peça.

Percorremos Portugal, actuamos em todo o tipo de salas, desde as mais pequenas — quase em ambiente de café-concerto — até às grandes salas. Actuamos para todo o tipo de públicos, desde os mais intensos e generosos até aos mais frios e distantes, para salas esgotadas ou para meia-dúzia de espectadores, mas a todos, confesso, a todos, o teatro impressionou e provocou emoções, quando não maravilhamento e assombro.

Inês Falcão, Rita Leitão, Paulo Moreiras, Rui M. Silva, Humberto Pinto, Luís Catarro, Filipe Eusébio.
Catarina Ribeiro, Bruno Cardoso.
Na Feira do Livro de Lisboa, em Maio de 2012, no Palco LeYa.

Tive o prazer de assistir a quase todos os espectáculos que realizámos, como se fosse a primeira vez, deixando-me contaminar pela alegria e prazer que a peça nos oferecia. Deixei-me envolver pelos públicos, sentindo o pulsar e as reacções das pessoas.

Confesso que não tenho palavras para descrever tudo aquilo que vivi e de como me sinto pleno por ter conseguido desenvolver este trabalho. O certo é que, como muitas vezes se diz, o bichinho do teatro entrou e agora está difícil de sair. Ainda bem, pois o sonho continua.

Tudo isto devo ao Teatro Amador de Pombal, pelo seu esforço, pela sua competência e, acima de tudo, pela sua amizade em embarcar numa aventura tão exigente como esta.

Não poderia deixar de assinalar esta data, expressando o meu agradecimento ao Rui M. Silva, que encenou a peça e lhe deu uma dimensão artística de grande valor — além disso, ganhei também um amigo, um generoso amigo com quem foi um prazer e uma aprendizagem trabalhar; aos membros que integram o elenco, por toda a sua incomensurável dedicação, amizade e cumplicidade, que levaram mais longe as minhas personagens: Bruno Cardoso, Catarina Ribeiro, Humberto Pinto, Inês Falcão, Luís Catarro e Rita Leitão; à Elsa Silva, pelos adereços e figurinos, pelo seu labor e constante procura de soluções; ao José Silva, pela cenografia; ao João Alegrete, pelo desenho de luz, sempre atento às particularidades de cada sala; ao Filipe Eusébio, pelo seu cuidado em todos os pormenores; e, por fim, a todos aqueles que fazem do Teatro Amador de Pombal um grande grupo de teatro, verdadeiros amantes desta nobre arte.

Obrigado, amigos, ab imo corde.

O espectáculo continua.

15.1.14

«A Demanda» em Pinhel


O Cine-Teatro São Luís, em Pinhel, acolhe no próximo dia 18 de Janeiro, sábado, pelas 21h30, o espectáculo «A Demanda», pelo Teatro Amador de Pombal.

Mais informações: http://www.cm-pinhel.pt/agendacultural/Paginas/Demanda.aspx

6.12.13

«A Demanda» de regresso a Pombal

O espectáculo «A Demanda», pelo Teatro Amador de Pombal, está de regresso aos palcos de Pombal, desta vez, no Auditório da Biblioteca Municipal de Pombal, no próximo dia 14 de Dezembro, pelas 21h30, no âmbito do Ciclo de Teatro Amador organizado pelo INATEL. A entrada é livre.



Com encenação de Rui M. Silva, o espectáculo «A Demanda» — a partir do romance «A Demanda de D. Fuas Bragatela» de Paulo Moreiras — conta no elenco com as actuações de Bruno Cardoso, Catarina Ribeiro, Humberto Pinto, Inês Falcão, Luís Catarro e Rita Leitão.

O espectáculo estreou a 21 de Janeiro de 2012, no Teatro-Cine de Pombal, tendo sido visto por cerca de cinco mil espectadores, em mais de trinta espectáculos de Norte a Sul de Portugal.

O espectáculo «A Demanda» arrecadou quatro prémios CALE na sétima edição do CALE-se - Festival Internacional de Teatro - 2013, um festival de carácter competitivo, único do género a nível nacional, organizado pelo Cale Estúdio Teatro - Associação Cultural de Actores, numa parceria com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e a Freguesia de Canidelo. O Júri deliberou atribuir o prémio «Melhor Espectáculo» ao Teatro Amador de Pombal, pela peça «A Demanda»; o Prémio «Melhor Encenação», a cargo de Rui M. Silva; o Prémio «Melhor Interpretação Masculina», atribuído ao actor Luís Catarro; o Prémio «Melhor Cenografia», sob a responsabilidade de José Silva.

29.11.13

Dia da Livraria e do Livreiro 2013


Assinala-se amanhã o Dia da Livraria e do Livreiro.
Não deixe de comprar um livro e passar por uma livraria.

Mais informações: http://diadalivrariaedolivreiro.wordpress.com/

28.11.13

Os Sete Demónios


Os Sete Demónios é um livro de contos subordinado à temática do Natal, com um título assaz curioso para um livro cheio de religiosidade e de adoração por essa celebração festiva. Editado em Lisboa, no ano de 1926, pela Emprêsa Literária Fluminense, encontra-se assinado por Maria Magdalena. Contudo, o nome da autora é muito parco para revelar a enorme escritora, ensaísta e poetisa que viveu muitos anos em Pombal, numa propriedade que a família possuía em Flandes. Referimo-nos a Maria Madalena Valdez Trigueiros de Martel Patrício, filha de João Campelo Trigueiros Martel e Maria Henriqueta Mascarenhas Godinho Valdez, nascida em Lisboa a 19 de Abril de 1884 e falecida em 1947.

Martel Patrício publicou em 1915 o seu primeiro volume de poemas, em francês, intitulado Le Livre du Passé Mort, que mereceu as mais elogiosas referências da crítica, seguindo-se outras obras de prosa, poesia e ensaio, tanto em língua francesa como portuguesa. Nas suas Memórias, Raul Brandão escreveu: “Madalena Trigueiros de Martel Patrício, pequenina, vivíssima compleição de artista, gostos aristocráticos, fazendo versos em francês e duma alegria comunicativa”.

Martel Patrício correspondia-se com Selma Lagerlöf, prémio Nobel da Literatura em 1909, com o Visconde Júlio de Castilho ou com Maria Amália Vaz de Carvalho, entre tantos outros notáveis da cultura portuguesa e internacional. Fez parte do Instituto de Coimbra, da Associação dos Arqueólogos Portugueses e pertenceu à Société des Gens de Lettres de France. Colaborou em várias revistas e jornais e manteve uma secção dedicada especialmente às mulheres e às crianças, no jornal O Comércio do Porto.

No livro, Os Sete Demónios, destaque para o conto Os pêssegos, escrito em Flandes, Pombal, em Outubro de 1926, onde a autora narra a história do padre António da Conceição, também conhecido por Beato António, a caminho do mosteiro de Santa Maria da Batalha onde iria dizer a missa de Natal. Curiosamente, a personagem, o Beato António, religioso da Congregação de S. João Evangelista, nasceu em Pombal a 12 de Maio de 1522 e morreu em Maio de 1602, tendo sido beatificado logo após a sua morte1. 

No seu livro autobiográfico Le Rosaire de la Vie: Les Fleurs d’Amandiers, Martel Patrício refere as célebres tijeladas de Pombal, tão apreciadas pelos soldados de Napoleão e que faziam as suas delícias2, entre tantas outras referências e histórias sobre a vida social e cultural do seu tempo na então Vila de Pombal. Alguns dos seus livros estão disponíveis para consulta na Biblioteca Municipal de Pombal, no Fundo de Autores Locais.

Em 1934, Maria Madalena de Martel Patrício foi nomeada para o Prémio Nobel de Literatura, por António Pereira Forjaz e Bento Carqueja, membros da Academia Real das Sciencias de Lisboa, que, nesse ano, seria atribuído a Luigi Pirandello.


Notas
1 Cfr. Agostinho Gomes Tinoco, Dicionário de Autores de Leiria, Leiria, 1979, p. 129.
2 Cfr. Maria Madalena de Martel Patrício, Le Rosaire de la Vie: Les Fleurs d’Amandiers, Sociedade Industrial de Tipografia, Lisboa, 1937-1938, p. 189.

21.11.13

Ruas com livros dentro

Por todas as cidades é frequente encontrar uma ou outra placa toponímica homenageando escritores portugueses, uns porque aí nasceram, outros porque aí habitaram. Mas nunca o homenageado foi o próprio livro. E isso encontra-se em Pombal, ao longo de vinte e seis ruas, numa pequena biblioteca com vinte e seis livros. Imagine, caro leitor, o que é dizer aos seus amigos, quando lhes indica a sua morada, que vive na Rua das Gaivotas em Terra, referência ao primeiro romance de David Mourão-Ferreira, ou então no Beco d’Os Gatos, obra de Fialho de Almeida. Certamente ficarão estupefactos e lhe perguntarão, desconfiados, se é mesmo verdade. Pode acreditar. Mas ainda há mais. Por exemplo, a Rua d’A Musa em Férias, de Guerra Junqueiro, a Rua d’Os Adoradores do Sol, de Fernando Namora ou a Rua do Pranto de Maria Parda, de Gil Vicente. Uma verdadeira biblioteca de obras portuguesas se acha pelas ruas da cidade de Pombal, no centro do país.


Tudo aconteceu em 1996, quando em reunião de Câmara, a 4 de Outubro, o Município de Pombal deliberou as denominações toponímicas a atribuir para algumas ruas da cidade de Pombal e da Charneca, privilegiando os livros em si e não directamente os seus autores. Este será talvez um dos melhores elogios que alguma vez se realizaram em Portugal em prol da nossa literatura. Seguramente será também uma boa promoção do livro e da leitura, tão importante nos dias da iliteracia de hoje. Quantos dos seus moradores não se terão já questionado sobre aquele livro que designa a rua onde habita e não terão partido à sua descoberta.

Não querendo pecar por míngua ou omissão, prefiro correr o risco de ser fastidioso mas deixar registado em letra redonda os livros que se podem passear por Pombal. Assim, encontramos, além das referidas, a Rua d’O Fidalgo Aprendiz (D. Francisco Manuel de Melo); a Rua d’Os Lusíadas (Luís Vaz de Camões); a Rua da Cartilha Maternal (João de Deus); a Rua (António Nobre); a Rua dos Emigrantes (Ferreira de Castro); a Rua d’O Monge de Cister (Alexandre Herculano); a Rua Menina e Moça (Bernardim Ribeiro). — Na Urbanização da Bela Vista: Rua da Mensagem (Fernando Pessoa); Rua d’A Morgadinha dos Canaviais (Júlio Dinis). — Na Urbanização de São Cristovão: Rua d’O Primo Basílio (Eça de Queiroz); Rua d’A Sibila (Agustina Bessa-Luís); Rua do Leal Conselheiro (D. Duarte); Rua d’A Sobrinha do Marquês (Almeida Garrett); Rua da Estrela Polar (Vergílio Ferreira). — Na Urbanização da Senhora de Belém: Rua da Peregrinação (Fernão Mendes Pinto); Rua do Memorial do Convento (José Saramago); Rua d’Este Livro Que Vos Deixo (António Aleixo); Rua do Amor de Perdição (Camilo Castelo Branco); Rua do Orfeu Rebelde (Miguel Torga); Rua das Décadas da Ásia (João de Barros). E por fim, na Charneca, nada mais a propósito do que a Rua da Charneca em Flor (Florbela Espanca).

Só mais um pequeno conselho, caro leitor. Antes de iniciar o seu passeio à descoberta da nossa literatura, vá munido de um sápido lanche. Procure pelas bandas do Largo do Cardal pelas queijadas da Ti Maria Rata ou pelos Cardalinhos, verdadeiros ex libris da doçaria pombalense. Vai ver que o passeio lhe sabe pela vida.

1.11.13

O meu primeiro dicionário

Sempre gostei de dicionários e tenho por eles um particular fascínio. Dicionários que vão desde o Vocabulário de Bluteau ao Dicionário de Zoologia, do Dicionário de Domingos Vieira ao Dicionário Houaiss, só para citar alguns exemplos.

Quando pequeno era curioso e cedo manifestei uma grande vontade de saber, de conhecer, de compreender como o mundo e as coisas funcionavam. Infelizmente, em minha casa, não existiram dicionários durante alguns anos.


Foi em casa de um amigo que desenvolvi uma secreta paixão por um dicionário que ele então possuía e ao qual não dava importância nenhuma, tendo-o por lá abandonado a um canto. Quando o visitava, entre uma e outra brincadeira, quedava-me a folhear aquele repertório de informação. Era um Dicionário Enciclopédico Ilustrado que, além das palavras, possuía também vários retratos, mapas e diagramas que mostravam o porquê das coisas e quem eram aquelas estranhas figuras. Tanto namorei o dito que certo dia fiz uma proposta de troca ao meu amigo: dava-lhe o meu pequeno navio de guerra, em metal, belo e exuberante — naqueles tempos sonhava em ser marinheiro, e aquele era o meu totem, o emblema que representava o meu sonho futuro de rapazola — pelo seu dicionário, velho e gasto, com algumas páginas rasgadas e um ar bastante antiquado. Nem pensou duas vezes. A alegria foi imensa, creio que para ambas as partes.


Nessa noite demorei-me a virar as páginas, vislumbrando e maravilhando-me com o que aquele dicionário continha, abraçado a ele como se fosse um velho sábio que tinha tudo para me ensinar. Ainda hoje o estimo e guardo junto dos outros que entretanto foram ampliando a minha secção de dicionários.


O meu primeiro dicionário foi o Dicionário Enciclopédico Brasileiro Ilustrado (4.ª ed., 1953), com uma capa forrada a tecido, de toque agradável. Foi lá que aprendi os deuses da mitologia grega e romana; o nome de muitos escritores e suas obras; quem tinham sido Beethoven, Bizet ou Mozart e o que compuseram; sobre a Idade Média, com os cavaleiros e as armaduras ou os Índios, da América do Norte ou da Amazónia; tudo com ilustrações que faziam agigantar a minha imaginação.


Durante muitos e largos anos, aquela foi a fonte onde fui saciar a minha curiosidade. Em boa hora decidi trocar um brinquedo por outro que me abriu os horizontes, não marítimos, mas intelectuais.