22.9.26
1.9.26
Fortunas e Adversidades de Luciano de Megera, Burro de Muitos Amos
Será esta novela um divertimento literário? Um exercício erudito ou um embuste? Patranha de algum alfarrabista? Que mistérios se escondem por detrás desta peregrina novela, com tanto de picaresco como de sátira e crítica de costumes?
A novela que ora se apresenta nasce da descoberta de um manuscrito, da sua apropriação criativa por Paulo Moreiras e da simbiose literária que o autor estabeleceu entre os textos, preservando o mesmo princípio: o de poder escrever pelo puro amor da escrita.
Poderia um burro escrever uma novela assim? Pelos vistos confirma-se. Porém, esta novela afigura-se como um quebra-cabeças para os bibliotecários, um trinta-e-um para os livreiros e um imbróglio para os críticos literários, isto é, se houver algum disposto a perder-se pelas brenhas desta floresta de fantasia e imaginação.
Aqui o leitor entra por sua conta e risco, sabendo que irá encontrar uma obra cheia de pilhéria, graça e sainete como aquelas a que Paulo Moreiras já nos habituou e de onde seguramente sairá com a barriga farta de riso. Fica feito o aviso. Atreva-se.
12.4.26
Do Palito à Perdiz
Sabia que as morcelas são mencionadas nas cantigas medievais portuguesas, tal como as favas, que foram proibidas por Pitágoras aos seus discípulos? Que o escritor Aquilino Ribeiro considerava a perdiz uma das aves mais lindas de Portugal? E que os gregos tinham o hábito de se passearem nas ruas com um palito na boca, como sinal de abastança e mesa farta?
A mesa, de resto, sempre foi ponto de encontro para os portugueses e peça central do seu quotidiano. À mesa estabelecem-se alianças, desenham-se estratégias, desenvolve-se a arte da má-língua. Mas também, curiosamente, se fala muito de comida: O que vai ser o jantar? Quando fazemos um petisco? Vamos comer um leitãozinho? Que tal uma sardinhada?
Do Palito à Perdiz sobre a mesa muito se diz é uma obra que reúne mil e uma curiosidades, que vêm a calhar que nem ginjas, sobre coisas que costumam chegar à mesa dos portugueses e que, como a ginjinha, fazem parte da nossa alma e identidade. Esta é uma viagem à descoberta da nossa gastronomia, na qual a História se cruza com a Tradição, através de manifestações religiosas e culturais, lendas e contos, cantigas populares, adivinhas, provérbios ou superstições, mas também nas páginas dos escritores portugueses, que nunca deixaram de as referir nas suas obras.
Um livro para ler e estar numa mesa portuguesa, com certeza.
16.10.25
A Vida Airada de Dom Perdigote conquista prémio
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Prémio de Narrativa PEN 2025
"Na categoria de Narrativa, o júri constituído por Sérgio Paulo Guimarães de Sousa (coordenador), Teresa Carvalho e Everton Machado, após minuciosa análise, decidiu, por unanimidade, atribuir o Prémio de Narrativa PEN 2025 ao livro intitulado 'A Vida Airada de Dom Perdigote' da autoria de Paulo Moreiras (Casa das Letras, 2023).
O Júri reconheceu tratar-se de uma obra de notável fôlego romanesco, que, além de reabilitar com virtuosismo o género picaresco e, mais latamente, o romance histórico, revela uma opulência lexical invulgar e um investimento não menos invulgar na expressividade literária."
(excerto do comunicado da Associação PEN Portugal)
28.5.25
Leiria - A Balada dos Ausentes
6.3.25
Melhor romance picaresco
23.1.25
Nova edição de "O Ouro dos Corcundas" já nas livrarias
O Ouro dos Corcundas
Paulo Moreiras
Casa das Letras/LeYa
2025
Neste mês de Janeiro, uma nova edição, revista e corrigida, de "O Ouro dos Corcundas" acaba de chegar aos escaparates das livrarias portuguesas. Eis a sinopse:
A guerra entre Absolutistas e Liberais está ao rubro quando Vicente Maria Sarmento retorna a Chão de Couce, após receber a notícia da morte do pai. Mas esse regresso tem um sabor duplamente amargo; em Lisboa, onde viveu os últimos anos, Vicente Maria pertenceu a um bando de salteadores e esteve preso no Limoeiro, donde só saiu por obra e graça dos malhados, que assaltaram a cadeia para libertar os partidários de D. Pedro. Antes de seguir para a casa da mãe, para sossego do corpo e do espírito, Vicente Maria dirige-se para a Venda do Negro, acabando a noite nos braços da puta Tomásia, que nunca esqueceu e a quem promete casamento e vida honesta.
Contudo, o seu regresso reacende na vila antigos ódios e paixões e os seus inimigos estragam-lhe os planos. Não lhe resta, pois, juntar-se a um novo grupo de bandidos, esperando que as pilhagens lhe rendam o bastante para se pôr a milhas dali com a amada. Quem também se vê em apuros é D. Miguel, atacado por todos os lados, a quem as vénias dos corcundas já de nada servem.
Projectado o assalto a uma família de fidalgos ricos em viagem, é numa curva da estrada que o bando intercepta uma carruagem, sem saber que os destinos de Portugal se jogam nesse preciso instante. E é pela ousadia de Vicente Maria que, afinal, se alterará o rumo da História, embora os livros injustamente o omitam.
Com uma linguagem poderosa e um humor digno da melhor literatura picaresca, o presente romance é uma homenagem aos heróis anónimos que ajudaram a construir as respectivas nações e um fresco sublime das lutas liberais.
27.1.24
"A Vida Airada de Dom Perdigote" é finalista do Prémio Literário Casino da Póvoa 2024
O romance "A Vida Airada de Dom Perdigote" é um dos treze finalistas do Prémio Literário Casino da Póvoa 2024.
O vencedor será anunciado na cerimónia de abertura da 25.ª edição do Correntes d'Escritas, no próximo dia 21 de Fevereiro.
O Prémio Literário Casino da Póvoa destina-se a galardoar, anualmente, uma obra em português, editada em Portugal, escrita por autores de língua portuguesa, castelhana/ hispânica, que conta já com 20 edições, sendo o único Prémio de cariz internacional, que, em Portugal, ultrapassa as fronteiras da Língua Portuguesa.
Edição revista corrigida e aumentada de "Os Dias de Saturno" nas livrarias em Fevereiro
Os Dias de Saturno
Paulo Moreiras
Casa das Letras
2024
É na Lisboa do século XVIII, desmedida e faustosa, a fervilhar de vida e infestada de ratoneiros, tabernas, comédias e casas de pasto, que perambulam as personagens deste romance cheio de reviravoltas: entre elas, o poeta satírico Tomás Pinto Brandão, «alfaiate dos costumes», ou o padre Rafael Bluteau, autor do Vocabulário Português e Latino; destacam-se, no entanto, o médico da corte João Curvo Semedo e o mestre cozinheiro Domingos Rodrigues, ambos secretos alquimistas e bons garfos. É certo que as suas experiências arriscadas nem sempre resultam como esperado; e agora, que o cozinheiro agoniza no leito, o seu filho adoptivo, portador de uma estranha marca de nascença, sai à procura de um velho médico e, de caminho, tropeça na rapariga dos seus sonhos... e em sarilhos.
Reflexão sobre o que a vida nos reserva de inescapável, o romance Os Dias de Saturno trata a alquimia das emoções sem nunca esquecer os prazeres da mesa. Galardoado com o Prémio Gourmand na categoria Melhor Livro de História Culinária no ano da sua publicação original, oferece-nos uma leitura realmente deliciosa e intemporal, ao estilo cuidado e imaginativo a que Paulo Moreiras já nos habituou.
6.4.23
27.3.23
Dom Perdigote no Jornal de Letras
Miguel Real , OS DIAS DA PROSA
Jornal de Letras n.º 1369 (2 de Março de 2023)
17.3.23
14.3.23
Apresentação em Pombal
No próximo sábado, dia 18, pelas 18h00, estarei na Biblioteca Municipal de Pombal para apresentar “A Vida Airada de Dom Perdigote” na companhia de Nuno Gabriel Oliveira. Apareçam todos aqueles que gostam de livros e da vida airada.
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27.2.23
Apresentação no Instituto Cervantes de Lisboa
“A Vida Airada de Dom Perdigote” apresenta-se em Lisboa, no próximo dia 9 de Março, quinta-feira, pelas 18h30, no Instituto Cervantes de Lisboa, pela mão do escritor José Carlos Barros, vencedor do Prémio LeYa 2021. Apareçam!
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#casadasletras #leya #novidade #josecarlosbarros #institutocervantesdelisboa
14.2.23
26.1.23
Novo romance chega às livrarias em Fevereiro
A Vida Airada de Dom Perdigote
Paulo Moreiras
Casa das Letras
Fevereiro 2023
Por ocasião do baptizado do filho varão, Felipe III de Espanha e II de Portugal promove festejos imperdíveis na cidade de Valladolid, sede da Corte e capital do império. E, se para aquele umbigo do mundo — onde desaguam todos os vícios, velhacarias e vilanias — concorrem nobres e ladrões, damas e rameiras, será mais do que certo que, depois de um périplo por Badajoz, Sevilha, Trujillo ou Toledo, siga também para lá Tanganho Perdigão Fogaça, conhecido como Dom Perdigote, a fim de cumprir o seu destino.
Mas nem tudo se apresenta de feição a este espadachim nascido no ano em que morre Camões; claro que, entre as muitas peripécias vividas, encontra o amor da sua vida e conhece o pintor El Greco, o escritor Quevedo e até o autor do Quixote; porém, será envolvido na tentativa de assassinar um dramaturgo que integra a embaixada inglesa, enviada para ratificar a paz entre as duas nações. Quem o irá salvar?
Na senda do seu romance de estreia — A Demanda de Dom Fuas Bragatela, aplaudido entusiasticamente pelo público e pela crítica —, Paulo Moreiras regressa ao género pícaro, em que é mestre, para nos oferecer uma obra-prima de rigor e divertimento que já fazia falta à nossa literatura. Sublime.
19.1.22
O Caminho do Burro no Jornal de Letras
Exuberância lexical
Paulo Moreiras, autor de A Demanda de D. Fuas Bragatela (2002), o melhor romance pícaro publicado este século em Portugal, de Os Dias de Saturno (2009) e de O Ouro dos Corcundas (2011), regressa à narrativa com O Caminho do Burro, um volume com 14 contos publicados em revistas entre 1996 e 2017.
O autor explica título tão singular: “... os antigos, quando pretendiam abrir um novo caminho pela montanha (...) recorriam às habilidades de um burro. A partir do ponto de origem para um novo caminho soltavam o burro e deixavam que ele seguisse o trilho à vontade, sem limitações, com os homens na sua peugada a fazer a marcação do traçado (...). Tal como o burro assim eu fiz o meu caminho, percorrendo as sendas, descobrindo as veredas, galgando os valados (...) na composição destas prosas”.
Isto é, escritos ao longo de um dilatado período, sem motivação única, os contos evidenciam uma ampla diversidade temática (uns urbanos, outros de inspiração rural; uns tematizando a solidão e o sexo, outro a vida conventual), unidos, porém, pelo singular registo de escrita do autor, abundantemente presente nos seus três romances: a exuberância lexical.
O grau crescente de dificuldade na estruturação de um conto força cada autor a buscar uma singularidade estilística ou temática. Não basta já contar uma história, como se não tivesse havido evolução do conto desde oitocentos, quando o conto popular se separou do conto erudito, assumindo este o estatuto de um romance breve, concentrando em poucas páginas todas as categorias narrativas (cf. Nuno Júdice, O fenómeno narrativo. Do conto popular à ficção contemporânea, 2005). Esta fora a grande proeza dos escritores do século XIX e da primeira metade do seguinte, e por ela se media a excelência do escritor. Neste sentido, Alexandre Herculano e Eça de Queirós foram e são inexcedíveis.
Hoje, as categorias que regem o conto são diferentes, vigora mais a sugestão do que a descrição (o microconto, por exemplo), as modalidades do registo da categoria de tempo tornaram-se múltiplas, até pela pressão da concorrência dos audiovisuais, da publicidade, do documentário, da reportagem jornalística e da abundante prática do conto infantil, bem como do trabalho sobre os graus de intensidade psicológica das personagens. Em síntese, a arte do conto tornou-se, hoje, uma das mais difíceis do campo narrativo. É mais fácil ser-se um bom romancista do que um bom contista, já que este exige uma originalidade e uma singularidade não acessível a todos os escritores.
Paulo Moreiras (PM) encontrou a sua singularidade de contista, não através do foco psicológico, não por via de um original trabalho sobre o tempo, não através de uma espécie de cripto-mensagem para o leitor, não através do cruzamento com a literatura policial ou científica, mas, sim, através de uma fortíssima exuberância lexical, que, porém, nunca cai na eloquência oca.
Exuberância lexical significa, aqui, (i) a recuperação de vocábulos perdidos no uso corrente da língua e da escrita, (ii) a reintegração de termos vernaculares do interior do país, (iii) de camadas perdidas da língua constantes da oralidade popular, (iv) de criatividade na formação de palavras (por exemplo: o nome próprio da editora, “visgarolho”, como aglutinação de “vesgo” e de “zarolho”), (v) na utilização de antigas metáforas ou imagens de tradição oral caídas em desuso.
A verdade é que hoje, em geral, o léxico do romance português foi invadido por uma pobreza franciscana e que ler um conto de PM constitui uma alegria para o espírito de uma língua portuguesa ainda viva, vibrante, cheia de encantamento, ocultando mil segredos que emergem espontaneamente, encantando o leitor.
Sem dúvida que, face ao espartanismo da prática da língua no romance, a exuberância lexical de PM, afim da de alguns dos contos de Mário de Carvalho, corre o risco de ser considerada barroca, um barroquismo anacrónico em época de simplicidade vocabular.
Leia-se qualquer conto, mas sobretudo os decorridos em mosteiros e os com personagens no ou provindas do interior de Portugal, nomeadamente Ars Amatoria (a invasão do Mosteiro da Batalha por ratos), Doces e paixões de Calistra, uma competição entre dois mosteiros na confeção de sobremesas, A pedra do Diabo e o espantoso Benedito Quaresma (talvez o melhor conto), A perdição de Sebastião das Canas, O tambor de Albano Marmelo...
Não podemos deixar de aproximar O Caminho do Burro de O País do Solidó, de Rentes de Carvalho, ora publicado. Em ambos a mesma exuberância lexical, retrato linguístico e ideológico de um país que vai desaparecendo, substituído pelas palavras e costumes de um país urbano linguisticamente menor, o qual, inevitavelmente — já nada se pode fazer, tal a força avassaladora do novo século — legaremos aos nossos filhos e netos. Resta-nos a suprema alegria estética de ler Paulo Moreiras e Rentes de Carvalho.
Miguel Real, Jornal de Letras, Ano XLI, Número 1338, De 12 a 25 de janeiro de 2022

















