26.1.23

Novo romance chega às livrarias em Fevereiro

 


A Vida Airada de Dom Perdigote

Paulo Moreiras

Casa das Letras

Fevereiro 2023


Por ocasião do baptizado do filho varão, Felipe III de Espanha e II de Portugal promove festejos imperdíveis na cidade de Valladolid, sede da Corte e capital do império. E, se para aquele umbigo do mundo — onde desaguam todos os vícios, velhacarias e vilanias — concorrem nobres e ladrões, damas e rameiras, será mais do que certo que, depois de um périplo por Badajoz, Sevilha, Trujillo ou Toledo, siga também para lá Tanganho Perdigão Fogaça, conhecido como Dom Perdigote, a fim de cumprir o seu destino.

Mas nem tudo se apresenta de feição a este espadachim nascido no ano em que morre Camões; claro que, entre as muitas peripécias vividas, encontra o amor da sua vida e conhece o pintor El Greco, o escritor Quevedo e até o autor do Quixote; porém, será envolvido na tentativa de assassinar um dramaturgo que integra a embaixada inglesa, enviada para ratificar a paz entre as duas nações. Quem o irá salvar?

Na senda do seu romance de estreia — A Demanda de Dom Fuas Bragatela, aplaudido entusiasticamente pelo público e pela crítica —, Paulo Moreiras regressa ao género pícaro, em que é mestre, para nos oferecer uma obra-prima de rigor e divertimento que já fazia falta à nossa literatura. Sublime.

19.1.22

O Caminho do Burro no Jornal de Letras

 


Exuberância lexical


Paulo Moreiras, autor de A Demanda de D. Fuas Bragatela (2002), o melhor romance pícaro publicado este século em Portugal, de Os Dias de Saturno (2009) e de O Ouro dos Corcundas (2011), regressa à narrativa com O Caminho do Burro, um volume com 14 contos publicados em revistas entre 1996 e 2017. 


O autor explica título tão singular: “... os antigos, quando pretendiam abrir um novo caminho pela montanha (...) recorriam às habilidades de um burro. A partir do ponto de origem para um novo caminho soltavam o burro e deixavam que ele seguisse o trilho à vontade, sem limitações, com os homens na sua peugada a fazer a marcação do traçado (...). Tal como o burro assim eu fiz o meu caminho, percorrendo as sendas, descobrindo as veredas, galgando os valados (...) na composição destas prosas”.


Isto é, escritos ao longo de um dilatado período, sem motivação única, os contos evidenciam uma ampla diversidade temática (uns urbanos, outros de inspiração rural; uns tematizando a solidão e o sexo, outro a vida conventual), unidos, porém, pelo singular registo de escrita do autor, abundantemente presente nos seus três romances: a exuberância lexical. 


O grau crescente de dificuldade na estruturação de um conto força cada autor a buscar uma singularidade estilística ou temática. Não basta já contar uma história, como se não tivesse havido evolução do conto desde oitocentos, quando o conto popular se separou do conto erudito, assumindo este o estatuto de um romance breve, concentrando em poucas páginas todas as categorias narrativas (cf. Nuno Júdice, O fenómeno narrativo. Do conto popular à ficção contemporânea, 2005). Esta fora a grande proeza dos escritores do século XIX e da primeira metade do seguinte, e por ela se media a excelência do escritor. Neste sentido, Alexandre Herculano e Eça de Queirós foram e são inexcedíveis. 


Hoje, as categorias que regem o conto são diferentes, vigora mais a sugestão do que a descrição (o microconto, por exemplo), as modalidades do registo da categoria de tempo tornaram-se múltiplas, até pela pressão da concorrência dos audiovisuais, da publicidade, do documentário, da reportagem jornalística e da abundante prática do conto infantil, bem como do trabalho sobre os graus de intensidade psicológica das personagens. Em síntese, a arte do conto tornou-se, hoje, uma das mais difíceis do campo narrativo. É mais fácil ser-se um bom romancista do que um bom contista, já que este exige uma originalidade e uma singularidade não acessível a todos os escritores. 


Paulo Moreiras (PM) encontrou a sua singularidade de contista, não através do foco psicológico, não por via de um original trabalho sobre o tempo, não através de uma espécie de cripto-mensagem para o leitor, não através do cruzamento com a literatura policial ou científica, mas, sim, através de uma fortíssima exuberância lexical, que, porém, nunca cai na eloquência oca. 


Exuberância lexical significa, aqui, (i) a recuperação de vocábulos perdidos no uso corrente da língua e da escrita, (ii) a reintegração de termos vernaculares do interior do país, (iii) de camadas perdidas da língua constantes da oralidade popular, (iv) de criatividade na formação de palavras (por exemplo: o nome próprio da editora, “visgarolho”, como aglutinação de “vesgo” e de “zarolho”), (v) na utilização de antigas metáforas ou imagens de tradição oral caídas em desuso. 


A verdade é que hoje, em geral, o léxico do romance português foi invadido por uma pobreza franciscana e que ler um conto de PM constitui uma alegria para o espírito de uma língua portuguesa ainda viva, vibrante, cheia de encantamento, ocultando mil segredos que emergem espontaneamente, encantando o leitor. 


Sem dúvida que, face ao espartanismo da prática da língua no romance, a exuberância lexical de PM, afim da de alguns dos contos de Mário de Carvalho, corre o risco de ser considerada barroca, um barroquismo anacrónico em época de simplicidade vocabular. 


Leia-se qualquer conto, mas sobretudo os decorridos em mosteiros e os com personagens no ou provindas do interior de Portugal, nomeadamente Ars Amatoria (a invasão do Mosteiro da Batalha por ratos), Doces e paixões de Calistra, uma competição entre dois mosteiros na confeção de sobremesas, A pedra do Diabo e o espantoso Benedito Quaresma (talvez o melhor conto), A perdição de Sebastião das Canas, O tambor de Albano Marmelo... 


Não podemos deixar de aproximar O Caminho do Burro de O País do Solidó, de Rentes de Carvalho, ora publicado. Em ambos a mesma exuberância lexical, retrato linguístico e ideológico de um país que vai desaparecendo, substituído pelas palavras e costumes de um país urbano linguisticamente menor, o qual, inevitavelmente — já nada se pode fazer, tal a força avassaladora do novo século — legaremos aos nossos filhos e netos. Resta-nos a suprema alegria estética de ler Paulo Moreiras e Rentes de Carvalho. 


Miguel Real, Jornal de LetrasAno XLI, Número 1338, De 12 a 25 de janeiro de 2022 


11.11.21

Grand Tour do Burro


Nos próximos dias o burro vai fazer um Grand Tour pelos caminhos de Portugal ao encontro dos seus leitores.
Viagens de descoberta, encontro e amizade.
Até breve, por aí, numa qualquer curva do caminho.


20 Novembro, sábado, 15h00

Livraria A das Artes, Sines


20 Novembro, sábado, 21h30

Casa da Cultura, Setúbal


27 de Novembro, sábado, 18h00

Avenida Café-Concerto, Aveiro


1 de Dezembro, quarta-feira, feriado, 17h00

Auditório do Edifício Sede do Poder Local - Junta de Freguesia de Laranjeiro e Feijó


4 Dezembro, sábado, 17h00

Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, Leiria 


4 de Dezembro, sábado, 21h00

Biblioteca Municipal de Pombal 


8 de Dezembro, quarta-feira, feriado, 16h00

UNICEPE - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto


11 de Dezembro, sábado, 18h00

Livraria Ler, Lisboa 

28.10.21

O Caminho do Burro

 


"O Caminho do Burro é uma antologia dos melhores contos escritos por Paulo Moreiras, entre 1996 e 2017, que andavam dispersos por diversas publicações, algumas hoje esquecidas ou de difícil acesso. Contos onde o picaresco e a malícia do povo português andam de braço dado com as invejas e as cobiças de gente ruim e sem escrúpulos. Uns à procura de uma vida melhor, do amor, da amizade e outros a engendrar estratagemas a fim de estragar os bons planos do vizinho. Um retrato irónico, mordaz e cheio de humor sobre as grandezas e misérias de ser português, com os seus toques de malandro, pinga-amor e desenrascado. Tudo embrulhado pela riqueza vocabular a que Paulo Moreiras já nos habituou. Contos para comer, beber e rir por mais, que assim se dizem as verdades."

Nas boas livrarias a partir de 5 de Novembro.

28.5.18

Virar a Mesa do Avesso



É verdade que gosto muito de cozinhar, tanto como de escrever, e quando as duas situações se aliam, eis que estão reunidos os ingredientes para um dia memorável. No próximo dia 30 de Junho, sábado, pelas 20h00, estarei em Baião, no Restaurante de Tormes, para «Virar a Mesa do Avesso». Além de confeccionar a «Gastronomia da Minha Infância», com o apoio dos Chefes de Cozinha António Pinto e António Queiroz Pinto, irei contar as curiosas histórias associadas às pitanças dos meus verdes anos. Depois do jantar, segue-se uma tertúlia com a moderação de Fernando Alves e os comentários de António Catarino, ambos jornalistas da TSF. Uma noite que promete muita folia, com livros, amigos e histórias para contar. Há convites que são verdadeiros desafios. E o convite do Município de Baião foi um deles. Um saboroso convite.

Mais informações e inscrições aqui.

14.7.17

Praça das Letras 2017


Por ocasião do seu 41.º aniversário, o Teatro Amador de Pombal promove a 2.ª edição da Praça das Letras, um evento cultural multidisciplinar que cruza várias artes.
Durante dois dias, 15 e 16 de Julho, estas artes encontram espaço de expressão na Praça Faria da Gama, junto ao edifício da Junta de Freguesia de Pombal.
A Praça das Letras tem início no sábado, dia 15, pelas 18h00, com uma tertúlia literária com a presença das escritoras Cristina Drios e Fausta Cardoso Pereira, numa conversa moderada por Paulo Moreiras.
Pelas 19h45, Francisco Gomes apresenta «Shot Stories», histórias alcoólicas para ouvir sem moderação, numa rodada de histórias tragico-cómicas.
O dia termina pelas 22h30, com o espectáculo de marionetas «Objectosfera», de Rui Sousa, com a participação especial de João Silva, que nos transporta numa viagem na manipulação de objectos do quotidiano, onde cada marioneta narra uma experiência de movimento singular, conta uma vivência única como se cada uma existisse num universo particular.
No domingo, pelas 18h00, realiza-se uma tertúlia com ilustradores e autores de banda desenhada, com a presença de André Caetano e Sérgio Marques. Pelas 19h30, segue o espectáculo de magia «O quê?!!», com Zé Mágico, que cria momentos impossíveis de compreender numa atmosfera mágica. Um espectáculo verdadeiramente para adultos, mostrando que nem tudo na vida tem de ter uma explicação.
A 2.ª edição da Praça das Letras encerra pelas 22h00, com um cine-concerto de Charlie Mancini, que tocará ao vivo durante a exibição do filme «Seven Chances», de Buster Keaton. Uma experiência singular e hilariante.

22.6.17

Maratona de Leitura - 24 Horas a Ler



Nos próximos dias 1 e 2 de Julho irei participar na «Maratona de Leitura - 24 Horas a Ler», na Sertã, com a leitura de um excerto de um dos meus romances e num encontro com os leitores, na companhia do meu querido amigo, Miguel Real. Apareçam.

Dia 1, sábado
16h30 - Leitura
Biblioteca Municipal Padre Manuel Antunes (Sertã)

21h00 - Encontro com os escritores Miguel Real e Paulo Moreiras
Santuário de Nossa Senhora dos Remédios

Mais informações aqui.

Facebook da Maratona.

31.3.17

Racconti Imperfetti

Um excerto do meu conto, «Ars Amatoria», na língua de Dante.


«Tutto cominciò la domenica di Pentecoste del 1786, verso le tre, quando orde di topi invasero le case, le soffitte, i fienili e i giardini della cittadina, scendendo per le strade e i vicoli alluvionati, venuti, probabilmente, dalle campagne circostanti o dall’inferno; una cosa mai vista prima: quella caterva si presentava alquanto funesta, allo stesso modo delle piaghe d’Egitto. La cittadina di Batalha, addobbata per i ministeri religiosi, si ritrovò improvvisamente nel trambusto e tutta la popolazione uscì in piazza, mostrando scapolari, santini e oggetti benedetti, per invocare tutti i santi che avessero un disegno in particolare sugli strani intenti che comandavano in quel modo la furia di quei roditori; altri, più devoti e ferventi, si inginocchiavano, salmodiando responsi e recitando litanie e invocazioni, perché liberassero i fedeli da quel cataclisma che tanto li terrorizzava. Gli almanacchi predicevano abbondanza e fertilità media per i campi, eppure ciò non giustificava un’apocalisse di quelle proporzioni, che ricopriva le strade di malinconia e devastava tutto. Sembrava non ci fosse salvezza possibile e tutti temevano il peggio.»

Paulo Moreiras, «Ars Amatoria»
in Racconti imperfetti (2017)
[trad. di Chiara Lazzaretti]

Mais informações aqui.

Recordar os Esquecidos

No passado sábado, estes foram os livros que escolhi: «O Estudante de Coimbra», Guilherme Centazzi; «Os Mistérios do Abade de Priscos», Fortunato da Câmara; «Histórias de Lana-Caprina», Bento da Cruz; «O Piolho Viajante», António Manuel Policarpo da Silva; «Vida e Obras de Dom Gibão», João Palma-Ferreira. Uma escolha com uma carga afectiva muito forte, pois cada um destes livros, à sua maneira, foi importante, se não mesmo crucial, para o meu percurso. Obrigado, pois, ao João Morales, pela oportunidade que me deu para falar neles. Um bem-haja também para todos os presentes.


«O Estudante de Coimbra», Guilherme Centazzi
Edição original: 1840 e 1841
Edição recente: 2012


«Os Mistérios do Abade de Priscos E outras 80 histórias
curiosas e deliciosas da gastronomia», Fortunato da Câmara
Edição: 2013
Gourmand Awards Winners 2014 Cookbook: Best Food Literature Book


«Histórias de Lana-Caprina», Bento da Cruz
Edição: 1997


«O Piolho Viajante», António Manuel Policarpo da Silva
Edição: 1802


«Vida e Obras de Dom Gibão», João Palma-Ferreira
Edição: 1987